Não tenho vergonha de falar que sou professora

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Há 35 anos na rede municipal de Itatiba, Selene Coletti não pensa em se aposentar, é adepta do registro reflexivo e encara cada nova turma como uma oportunidade de aprendizado e desenvolvimento como educadora

por:
SC
 
Selene Coletti

10 de Maio 2017 - 10:00


Crédito: Selene Coletti

“Quando eu era pequena gostava de brincar de escolinha, de ser a professora. Cursei Magistério, fiz estágio em escola e logo passei no concurso da prefeitura. Anos mais tarde, cursei licenciatura em Estudos Sociais e Pedagogia. Aproveitei muito as formações realizadas pelas redes, tanto municipal quanto estadual, e fui trabalhar como coordenadora da oficina pedagógica no Núcleo de Formação Continuada da Prefeitura de Itatiba, interior de São Paulo.  Mas, em 2006, com a troca de gestão, voltei para a sala de aula.

Foi a chance que tive para entender se tudo o que tinha aprendido e ensinado nas formações realmente funcionava. Ver que eu era capaz de alfabetizar foi só o começo. Me encanta ver a maneira como os alunos chegam e vão evoluindo, descobrindo que conseguem ler, depois apreciando o próprio portfólio e observando o quanto aprenderam. Quando eu falava sobre o registro reflexivo nas formações, muitos professores torciam o nariz, dizendo que não dava tempo... No final, eu mesma queria saber se daria conta ou não.

Comecei fazer os registros das minhas aulas e aquilo foi se tornando um hábito. No Observatório da Educação (Obeduc), do qual participei, fomos estimulados a gravar a aula e revê-la. Nesse processo, você percebe que poderia ter feito assim ou assado, e enxerga com clareza algumas oportunidades perdidas! Hoje sei que registrar e escrever sobre as aulas é de suma importância, e que isso fez toda diferença na minha prática. Participar do Obeduc me ajudou a minimizar desafios da sala de aula, como, por exemplo, trabalhar a questão do pensamento algébrico com as crianças. Esse projeto permitiu disseminar a inovação na Matemática para muitos professores e ressignificou a minha prática. Eu acredito que a formação continuada nos empodera.

Gosto de compartilhar o que eu sei com outros, e tenho consciência de que estou sempre aprendendo algo. Uma escola organizada e bem estruturada ajuda muito o professor a cumprir o seu papel. Ganho pouco pelo muito que eu faço. Mas não me importo de trabalhar no sábado e no domingo. Quero ainda fazer mestrado, e o ideal seria ter meio período de estudo e meio de trabalho. Hoje, trabalho de manhã na Educação Infantil e à tarde no 1º ano do Fundamental.

Eu não me sinto com o pé na aposentadoria. A cada ano eu recebo um grupo novo de alunos, então tudo se renova e eu sempre acredito que tudo vai dar certo. A gente se envolve e abraça desafios e quando chega ao final do ano e percebe que deu conta, que superou esses desafios e isso não tem preço. Eu gosto muito de ensinar e não tenho vergonha de falar que sou professora, como outros que conheço. Tenho orgulho dessa profissão, se não fosse ela, as outras não existiriam. Acho que vale a gente acreditar que é importante dentro desse sistema e que fazemos diferença, mesmo diante das adversidades. O professor é capaz de mudar uma situação e esse é o maior valor do Magistério.”

Selene Coletti, professora do 1º ano da EMEB Coronel Francisco Rodrigues Barbosa, em Itatiba/SP, e Educadora Nota 10 de 2016
Depoimento a Maggi Krause

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