Escola estadual pede doação em troca de ponto em nota

15:47 |




13/04/2017

Tatiana Cavalcanti
do Agora
Pais e alunos da Escola Estadual Mário Franciscon, em São Bernardo do Campo (ABC), do governo Geraldo Alckmin (PSDB), afirmam que a diretoria pediu aos estudantes a doação de um quilo de alimento em troca de um ponto na média nas disciplinas de matemática ou de português. O pedido foi feito na semana passada, e as prendas deveriam ser entregues até sexta-feira, dia 7.
Ronny Santos/Folhapress
Aluna da Escola Estadual Mário Franciscon, no ABC
Aluna da Escola Estadual Mário Franciscon, no ABC
Essa situação foi relatada ontem à reportagem do Agora por 11 alunos do ensino médio (2º e 3º anos), 10 do fundamental (5º e 6º anos) e 7 pais de estudantes.
A escola pretendia vender os produtos doados para pagar o conserto das duas bombas hidráulicas da unidade, queimadas há um mês. Segundo um funcionário que pediu para não ser identificado, o reparo de cada bomba custa R$ 1.800. A arrecadação com as doações foi de R$ 900.
"Já mandamos três ofícios ao Estado, mas não resolveu ainda. Sem água, vamos ter que dispensar alunos. Como medida provisória, emprestamos uma bomba particular."
O funcionário disse que no sábado houve uma gincana e que esse bônus na nota seria um ponto positivo para a sala, e não individualmente.
Mas os alunos negam. "Inclusive a sala que levasse mais prendas, sim, ganharia pontos positivos. Mas eles prometeram, sim, nota na média em troca da comida", disse uma aluna de 15 anos do 2º ano.
Os pais dizem que já reclamaram em reuniões e que a diretoria nunca revelou quantos quilos de comida foram arrecadados, o que foi feito com eles nem a verba arrecadada. A mãe de uma aluna do 3º ano afirma que os pais não foram avisados da existência do bazar. "Só havia alunos na gincana. Não faria sentido os estudantes comprarem a comida que nós mesmos doamos", indagou.
Pais mandam produtos 'por medo'
Os pais de alunos da Escola Estadual Mário Franciscon, em São Bernardo (ABC), consideram "lamentável" o pedido da diretoria. Para eles, a escola passou para os alunos a responsabilidade de resolver um problema que é do Estado e do colégio.
"Eu só mandei a prenda porque fiquei com receio de a minha filha ser prejudicada na nota final. Mas considero uma atitude lastimável", afirmou o motorista José de Lima, 60 anos. A filha dele levou um pacote de macarrão na semana passada. Ela estuda no ensino médio.
Lima conta que seus dois sobrinhos estudam na unidade e relataram o mesmo pedido, em troca de nota.
Diz ainda que ligou na Secretaria da Educação e que disseram que essa prática é irregular, mas não explicaram o que ele deveria fazer nem como denunciar.
Para a dona de casa Maria Santos, 43 anos, mãe de um aluno do 6º ano na escola, a prática é abusiva. "Só comprei o óleo para meu filho levar por causa da nota", admitiu a mulher.
RESPOSTA
A Secretaria de Estado da Educação, sob gestão Geraldo Alckmin (PSDB), afirmou em nota que considera "inadmissível a conduta adotada pela direção da Escola Estadual Mário Franciscon e repudia atitudes que onerem as famílias de qualquer maneira ou que misturem avaliação escolar com qualquer outra fator senão o do desempenho nos estudos".
A pasta determinou que a Diretoria Regional de Ensino de São Bernardo do Campo abra apuração preliminar para averiguar o caso.
Disse ainda que "em nenhum momento" a direção da unidade protocolou pedido para conserto ou manutenção das bombas hidráulicas, mas que enviará técnicos ao local.

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