Desajuste na educação

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Continuidade da negação sociocultural no presente, comprometedora do futuro, equivale a 63% das crianças e jovens de 4 a 17 anos que estão fora da escola no ES
Publicado em 11/04/2017 às 06h18





Como está a exclusão educacional do jovem de 15 a 17 anos no Espírito Santo? Para contribuir na resposta desse quadro apagado, seguem informações de 2015, extraídas de recentes relatórios do “Todos pela educação”.
Mais de 30.000 jovens de 15 a 17 anos (30.586) seguiam fora da escola em 2015. Ou seja, de cada cinco jovens nessa faixa etária, um está fora da sala de aula – quase 20%. Fazem o quê?
Com essa taxa de atendimento escolar na faixa de 15 a 17 anos, o Espírito Santo está abaixo da vexatória média de 84,3% do Brasil, de todos os demais Estados do Sudeste, da Região Sul, sem falar de Bahia e Goiás. Como explicar o Estado estar nessa posição desajustada?
A continuidade da negação sociocultural no presente, comprometedora do futuro, equivale a 63% de todas as crianças e jovens de 4 a 17 anos que estão fora da escola no Espírito Santo: 48.578 crianças e jovens. Além da juventude sem acesso ao conhecimento básico, acrescem-se 9.595 crianças de 4 a 5 anos que estão apartadas da escola.
Ainda estamos, na metade da segunda década do século XXI, tendo que tratar de como incluir crianças e jovens na escola. Ao mesmo tempo, a qualidade do ensino apresenta recorrentes resultados destoantes das exigências mínimas do mundo contemporâneo. Como ser analfabeto funcional e usar o celular?
E os jovens que estão cursando o ensino médio? De cada quatro que estavam nesse momento do ensino básico, um não estava cursando a série adequada. Estava fora do tempo avassalador. Ou seja, a distorção-série também é um dos fatores que impulsiona o abandono depois do meio do caminho.
Ainda tratando apenas de quantidade, menos de 60% (59,5%) dos alunos concluíram o ensino médio aos 19 anos. Mais uma vez, a colocação do Espírito Santo, com esse percentual de formandos na idade recomendada, está pouco acima da deplorável média do Brasil: 58,5%. A conclusão do ensino fundamental com 16 anos, ainda que maior em comparação a do ensino médio, fica em 78,8% - abaixo dos demais Estados do Sudeste e da Região Sul.
Além dos mais de 30.000 jovens de 15 a 17 anos que estão nas ruas, soma-se uma outra parcela da juventude – 13.791 – que concluiu o ensino médio e parou de estudar. Pararam por quê? Estão trabalhando ou não? Em quê? Considere-se que o Brasil, em particular o Espírito Santo, tem uma sofrível escolarização de jovens com ensino superior.
Depois de 2015, ano dos dados, com a intensificação da crise, como esse quadro está sendo reajustado?
*O autor é professor da Ufes e especialista em políticas públicas

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