Brasil está entre os países que mais têm jovens no mercado de trabalho

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Edição do dia 21/04/2017
21/04/2017 08h48 - Atualizado em 21/04/2017 11h58



Esses jovens têm menos tempo para estudar. Muitos largam a escola e encontram dificuldade para se qualificar e obter emprego bem remunerado.











O Brasil está entre os países que mais têm jovens no mercado de trabalho. Entrar tão cedo no mercado de trabalho prejudica os estudos. É que esses jovens têm menos tempo para se dedicar aos estudos e pior, muitos até abandonam a escola. O resultado disso é uma dificuldade ainda maior para se qualificar e, no futuro, conseguir um emprego mais bem remunerado.
O trabalho na cozinha é temporário, até a estudante Ana Carolina Lima encontrar um emprego para pagar a faculdade de Engenharia que ela ainda quer fazer. A Ana não consegue ficar parada. Começou a trabalhar com 15 anos para ganhar o próprio dinheiro. Mas o custo dessa independência financeira era a dupla jornada: escola de manhã, trabalho à tarde, aos sábados e pouco tempo para estudar.
“Atrapalha bastante, eu acho que se o jovem hoje em dia tem opção de estudar sem precisar trabalhar é bem melhor, mas a realidade não é essa, a gente tem que trabalhar e estudar para ter o que a gente quer”, diz Ana Carolina. 
A história da Ana é parecida com a de quase metade dos jovens brasileiros que têm de 15 a 16 anos. Uma pesquisa da Organização Para Cooperação de Desenvolvimento Econômico, a OCDE, mostrou que 43,7% desses adolescentes exercem algum tipo de atividade remunerada antes ou depois da escola.O número é bem acima da média dos países ricos que fazem parte da OCDE, que é de 23,3%.
Entre os 70 países pesquisados, o Brasil é o sexto com o maior número de jovens trabalhando. Fica atrás apenas de TunísiaCosta RicaRomêniaTailândia e Peru.
Os especialistas em educação dizem que não tem jeito: começar a trabalhar tão jovem prejudica a vida escolar. Normalmente, esses são os alunos que mais atrasam, faltam ou repetem de ano. Isso quando não acabam simplesmente desistindo de estudar.
A presidente-executiva do movimento Todos Pela Educação diz que a situação é pior entre os alunos dos cursos noturnos, onde a maioria trabalha ou está à procura de emprego. Ela diz que não se trata apenas de passar de ano ou terminar o ensino médio. As falhas na formação prejudicam o futuro do estudante.
“Esse jovem que trabalha e que acaba até tendo um desempenho pior na escola porque tem menos tempo para se dedicar para os estudos, acaba estudando menos, acaba muitas vezes até faltando na escola, esse jovem está perdendo um período precioso da sua vida, que é um tempo e um espaço que ele não vai ter depois na vida dele para poder estudar e desenvolver habilidades importantíssimas para inclusive o mercado de trabalho”, diz Priscila Cruz, gerente do Todos Pela Educação.
Ainda segundo o relatório da OCDE, os jovens que estudam e trabalham apresentam uma tendência maior de não se sentirem enquadrados no ambiente escolar.
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