Ativistas cotianos dizem que “Brasil vai fomentar mais ainda o tráfico, se não legalizar a maconha”

18:08 |



Por  em abril 7, 2017


Ao cotiatododia, os irmãos Pedro e Gustavo esclarecem as principais dúvidas quando o assunto é a polêmica legalização das drogas
Por José Francisco Neto
Em mais de 30 países, a maconha já é legalizada. Cada qual com sua legislação, mas, de certa forma, o uso recreativo nesses lugares já não é motivo de prisão. No Brasil, quem for pego portando maconha ou qualquer outra droga ilícita terá, provavelmente, problemas com a Justiça.
“Essa é uma tendência mundial. O mundo inteiro está legalizando. Uma hora o Brasil vai ter que acompanhar isso. O Brasil vai fomentar mais ainda o tráfico, se não legalizar a maconha”, opina Gustavo Cordeiro, ativista pela legalização da maconha no Brasil.
Gustavo e seu irmão mais velho, Pedro Cordeiro, além de defensores da legalização da maconha, são empresários no ramo de Head Shop. Donos da Tabacaria Leprechaun, em Cotia, eles esclarecem, ao Cotia Todo Dia, que a maconha proibida beneficia – “e muito” – o crime organizado.
“Com uma regulamentação, tiraríamos a droga da porta de escolas, das esquinas […] a gente restringiria para que o menor não tivesse contato com a droga tão cedo. A gente precisa regulamentar isso para tudo ficar melhor”, afirma Pedro.
maconhaRegulamentação
Naturalmente, quando se toca no assunto legalização, no imaginário de algumas pessoas, seria que qualquer um poderia fumar a quantidade que quisesse e onde desejasse. Mas Pedro diz que não, e esclarece como seria.
“A legalização é uma regulamentação. Hoje, a droga já está legalizada. Você a encontra em qualquer lugar. Agora tem que regulamentar isso, não pode ficar assim. É preciso tirar isso da rua. É preciso colocar uma idade mínima para o consumo, com lugares específicos; é preciso enfraquecer o tráfico. Terá um benefício muito maior para a sociedade se cada um plantar a sua maconha”, explica.
Mas, e as outras drogas, como a cocaína e o crack, como que ficaria, caso a maconha fosse legalizada aqui no Brasil?
“A gente precisa discutir a legalização das outras drogas. A gente precisa regulamentar também. Muitas drogas, antigamente, eram vendidas nas farmácias. Do mesmo modo que estamos fazendo com a maconha, discutindo com embasamento científico e comprovado para falar, teríamos que ter embasamento científico para falar de outras drogas também. O início seria a descriminalização dessas drogas”, afirma Pedro.
Descriminalização
No Brasil, que tem a quarta maior população carcerária do planeta, mais de 70% das pessoas foram presas por tráfico de drogas. Dessas, a maioria com uma quantidade inferior a 50 gramas de entorpecentes. O maior argumento de quem defende a legalização é esse: que a guerra às drogas apenas é um pretexto para criminalizar o pobre e o negro.
“Com certeza, com a descriminalização, já reduziria o número de pessoas presas. Seria um passo muito importante. Tem que evitar colocar um usuário na prisão, para ele não correr o risco de virar um traficante mesmo”, defende Pedro.
“Legalizar, seria toda a produção, tudo. Descriminalizar é quando não é mais crime você fazer aquilo”, completa Gustavo.
Por isso, os irmãos Cordeiro defendem o cultivo caseiro, com a tese “mais um cultivando, menos comprando”.
“O cultivo caseiro é a melhor forma de combater o tráfico. Mais um cultivando é menos um comprando. É uma ética social. Não tenho que dar o dinheiro pro traficante, para eu fumar maconha. E ainda uma maconha podre. O cultivo caseiro, mais um menos um, funciona”, diz.
Prevenção
Para finalizar, Pedro defende que a prevenção às drogas é importante. Pode até parecer contraditório, no primeiro momento, mas ele esclarece que legalizar não significa incentivar.
“É a prevenção para que essas próximas gerações não façam a mesma coisa. Você pega os países que a maconha está legalizada, o consumo não aumenta, mas diminui. Até aquele negócio do prazer em fazer tudo que é proibido, acaba. A gente precisa pensar nisso”, reflete.
Na maioria dos países que legalizou o uso recreativo da maconha, junto com essa política, veio também a da prevenção e do tratamento ao usuário.
Em Portugal, por exemplo, o usuário que for pego pela polícia, portando qualquer tipo de droga, é encaminhado a Comissão de Dissuasão da Toxicodependência (IDT), geralmente formada por três pessoas: um advogado, um médico e um trabalhador social. O papel da comissão é recomendar o tratamento, apresentar as opções que o usuário tem se quiser largar o vício.
Pedro defende essa lei, e complementa: “Então, basta regulamentar isso, recolher os impostos e dar prevenção para as pessoas. Eu estou falando de drogas, mas estou falando também de saúde pública. O tratamento com o usuário é diferente hoje. Ele tem que ser tratado por um médico, e não por um delegado.”
Redação

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