Saresp: avaliar apenas o desempenho do aluno não basta para medir a qualidade do ensino

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Segundo professora da Faculdade de Educação da USP, índices como o aplicado pelo governo de São Paulo, que avaliam apenas os resultados, tratam a educação como um produto, e não um direito
por Redação RBA publicado 22/02/2017 09h31, última modificação 22/02/2017 09h40
REPRODUÇÃO/TVT
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Qualidade do ensino deve considerar as condições de trabalho do professor e a infraestrutura das escolas
São Paulo – Para a professora Sônia Kruppa, da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP), índices que se baseiam em provas, como o Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar do Estado de São Paulo (Saresp), que avaliam apenas o desempenho dos alunos, são insuficientes para determinar a qualidade do ensino nas escolas públicas do estado.  Segundo ela, caberia elaborar índices que medissem a totalidade das questões, como formação e remuneração dos professores, condições de infraestrutura das escolas, investimentos em laboratórios e bibliotecas, entre outros. Sem isso, diz, o desempenho insatisfatório é imputado ao aluno e ao professor. 
"Os estudantes estão aprendendo menos, porque a condição da escola é muito ruim. O Saresp vai lá e reafirma que os estudantes não aprendem. Mas ele não diz: 'os alunos não aprendem porque as condições são ruins'", questiona Sônia Kruppa, em entrevista à repórter Vanessa Nakasato, para o Seu Jornal, da TVT.
"Se a gente quer enfrentar o problema da qualidade da educação, as condições de trabalho da escola pública é que tem que ser avaliadas. Para ser de qualidade, exige investimento, e é cara. O professor tem que ser bem pago, a escola tem que ter qualidade, como acontece nas boas escolas privadas", detalha a professora. 
Para ela, esse tipo de avaliação contribui para o sucateamento da educação pública, pois a trata como um produto, e não como um direito. "Foi feito barateamento do custo da educação. É isso que temos assistido. Não temos assistido a uma política que vise a qualidade. Estamos assistindo uma política que visa a padronização, um nivelamento para baixo da educação paulista."
Para reverter esse quadro, a professora aposta na mobilização. "O direito à educação é universal. E direito quer dizer acesso e permanência. E isso significa a luta pela qualidade à educação. E essa luta só é possível se a classe trabalhadora for para a rua."  

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