Professor brasileiro está entre os dez finalistas de prêmio internacional

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Wemerson da Silva Nogueira concorre ao Prêmio de Professor Global (Global Teacher Prize). Em 2016, ele foi escolhido Educador do Ano, com projeto inspirado na tragédia ambiental do Rio Doce

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Raissa Pascoal
21 de Fevereiro 2017 - 21:01

Wemerson da Silva Nogueira tem cinco anos de docência e, em 2016, foi escolhido Educador do Ano pelo Prêmio Educador Nota 10. Crédito: Diana Abreu
Tem brasileiro entre os dez melhores professores do mundo de 2017. Wemerson da Silva Nogueira, 26 anos, professor de Ciências da EEEFM Antônio dos Santos Neves, em Boa Esperança, Espírito Santo, está na lista dos finalistas do Prêmio de Professor Global (Global Teacher Prize) deste ano. Ele foi reconhecido pelo jeito dinâmico de ensinar sua disciplina, que envolve contextualização da aprendizagem e incentivo à pesquisa científica. Entre os finalistas, há também educadores de Quênia, Paquistão, Austrália, Inglaterra e China (saiba mais sobre eles no quadro, no final deste texto).
Com cinco anos de docência, Wemerson já acumula outros reconhecimentos. Em 2016, ele foi escolhido Educador do Ano, pelo Prêmio Educador Nota 10, com o projeto "Filtrando as lágrimas do Rio Doce". No trabalho, realizado com a turma do 9º ano, o professor estudou a tabela periódica a partir dos elementos químicos encontrados pelos alunos na lama que contaminou o Rio Doce, depois do desastre ambiental de Mariana, em Minas Gerais. O educador ainda propôs à turma a produção de filtros de água, que foram utilizados pela comunidade ribeirinha, muito afetada pela tragédia. Dois anos antes dessa premiação, Wemerson conquistou o segundo lugar do prêmio de Boas Práticas, concedido pela Secretaria Estadual de Educação do Espírito Santo, com um projeto que uniu música e Química.
Outro brasileiro também esteve entre os indicados para o prêmio. Valter Pereira de Menezes era um dos 50 finalistas – a lista foi divulgada em dezembro do ano passado. Assim como Wemerson, ele também já venceu o Prêmio Educador Nota 10, em 2015, com o projeto de Ciências "Água Limpa", desenvolvido em Santo Antônio do Rio Tracajá, Amazonas. A proposta, desenvolvida com as turmas do 9º ano da EM Luiz Gonzaga, foi estudar maneiras de tratar a água.
O Prêmio de Professor Global é promovido todos os anos pela Fundação Varkey, organização sem fins lucrativos que investe em Educação no mundo todo. O objetivo é reconhecer um educador que tenha feito uma contribuição excepcional a sua profissão. Ao todo, 20 mil profissionais de 179 países participaram da seleção. O vencedor será anunciado no Fórum Global sobre Educação e Habilidades em Dubai, nos Emirados Árabes, em 19 de março, e ganhará 1 milhão de dólares. Ele também será convidado a participar de eventos internacionais sobre valorização dos professores. A condição para vencer a premiação é continuar atuando em sala de aula por, pelo menos, cinco anos.

CONHEÇA OS OUTROS FINALISTAS

Raymond Chambers (Inglaterra)
Raymond é professor de Ciência da Computação na Brooke Weston Academy, uma escola para alunos de 11 a 18 anos na Inglaterra. Ele é um incentivador do uso das Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs) na escola e já foi convidado para falar para professores ao redor do mundo sobre como eles podem inserir a tecnologia no processo de ensino e aprendizagem.

Salima Begum (Paquistão)
Salima é diretora da escola para meninas Elementary College for Women Gilgit, no Paquistão. Na realidade em que ela nasceu, numa remota vila paquistanesa, foi uma luta concluir os estudos. Hoje, ela trabalha para conscientizar os pais da importância de educar as meninas.

David Calle (Espanha)
David é fundador e criador do site educacional Unicoos. Os vídeos que ele produz já foram vistos por mais de 30 milhões de estudantes, que os procuram para resolver questões variadas de aprendizagem. O canal do professor no YouTube já é o maior na Espanha.

Marie-Christine Ghanbari Jahromi (Alemanha)
Marie-Christine é professora de Educação Física, Matemática e Alemão na escola Gesamtschule Gescher, na Alemanha. O trabalho diário que ela realiza é para aumentar a autoestima, a motivação e a empatia dos alunos. A prática da educadora é baseada nas descobertas que ela alcançou com pesquisas – Marie-Christine é autora de muitas publicações acadêmicas.

Tracy-Ann Hall (Jamaica)
Ela é professora de tecnologia automotiva da Jonathan Grant High School, na Jamaica. Por causa de sua atuação atenciosa com os alunos da primeira turma para a qual lecionou, Tracy-Ann conseguiu mudar o rótulo da classe de "pobre" para "bem-sucedida". Hoje, ela consegue bolsas de estudo para estudantes que se destacam com empresas do setor automotivo.

Maggie MacDonnell (Canadá)
Maggie é professora da Ikusik School, no Canadá. Depois de terminar um mestrado, ela se envolveu com a proteção de populações indígenas do Ártico canadense. Desde então, passou a lecionar numa escola de uma vila, onde criou um programa para diminuir o número de meninas que largavam a escola.

Ken Silburn (Austrália)
Ken é professor de Ciências da Casula High School, na Austrália. A vontade de virar educador surgiu ainda na escola, quando teve aula com professores inspiradores. O que o motiva na profissão é ampliar as perspectivas de vida dos estudantes, principalmente dos que vêm de famílias com condição socioeconômica mais baixa. Muitos dos seus alunos já conquistaram bolsas de estudos para cursar faculdades de Ciências.

Yang Boya (China)
Ela é professora de psicologia da The Affiliated Middle School of Kunming Teachers College, na China. O trabalho de Yang é oferecer ajuda a crianças que estão separadas dos pais há muitos anos, devido à mudança de cidade para procurar emprego.

Michael Wamaya (Quênia)
Michael é professor de dança no Quênia. Quando adolescente, ele foi forçado a deixar o Ensino Médio por problemas financeiros. No entanto, aproveitou a visita de um grupo artístico na cidade em que morava, fez uma audição e conseguiu se mudar para Nairóbi, capital do país, para estudar dança. Agora, ele ensina o que aprendeu para crianças e adolescentes e já ouviu de outros professores que suas aulas têm efeito positivo no rendimento acadêmico dos alunos.

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