Investir em professores

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Publicação: 23/02/2017 03:00

Uma semana depois de o presidente Michel Temer sancionar a lei da reforma do ensino médio, um grande desafio será a formação adequada dos professores para a implantação das mudanças previstas na nova legislação. Atualmente, quase a metade dos docentes (46%) do ensino médio no país transferem conhecimento sem serem graduados nas áreas específicas de atuação, comprometendo a qualidade do aprendizado de cerca de 8 milhões de estudantes, que se matriculam, anualmente, nas redes públicas e nas escolas particulares de todo o Brasil. Apenas pouco mais da metade dos professores (54%) tem formação adequada nas matérias que lecionam.

A implementação da reforma, que contou com o apoio da maior parte dos pedagogos e especialistas em educação básica — setores ligados aos governos do PT tudo fizeram para impedir a tramitação da proposta do governo federal —, ainda depende da Base Nacional Comum Curricular, conjunto de orientações que deverá moldar os currículos escolares. As inovações introduzidas pela lei podem demorar algum tempo, que pode ser o necessário para o Ministério da Educação desenvolver um programa de qualificação dos docentes para que possam suprir as demandas previstas na reforma.

O que alarma os especialistas é que dos 494 mil professores que trabalham com jovens, que forjarão o futuro do país, 228 mil dão alguma ou todas as aulas em disciplinas para as quais não têm formação. Os que dão aula só em disciplinas nas quais não têm diploma somam 32%, de acordo com dados do Censo Escolar 2015. Este cenário pode comprometer a reforma recentemente aprovada pelo Congresso Nacional por que a nova legislação prevê, por parte dos estabelecimentos de ensino, a criação de linhas de aprofundamento por área.

Sem profissionais com formação adequada a proposição se torna inexequível. Essas linhas de aprofundamento do ensino, segundo os pedagogos, exigem conhecimento específico que pode ser transferido apenas por quem conhece bem a disciplina. A questão preocupante é que os profissionais sem uma boa formação não dominam os conteúdos mais interessantes das disciplinas, o que pode comprometer todos os esforços para um aprendizado mais qualificado.

As autoridades do setor educacional não devem negligenciar esta realidade. A reforma do ensino não vingará se o país não tiver pessoas qualificadas para sua implantação, cujos efeitos ainda vão demorar a aparecer. O que não se pode perder de vista é que a mudança veio para ficar e criar padrões de transferência de conhecimento à juventude brasileira.

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