Votação do projeto contra Lixão é adiado entre vaias e protestos em Araçariguama

09:26 |

18/01/2017 às 11h17min - Atualizada em 18/01/2017 às 11h17min



Da Redação: Rafael Barbosa - Foto: Divulgação
A votação do polêmico Projeto de Lei que proíbe a implementação de um Aterro Sanitário (o conhecido Lixão) em Araçariguama foi adiado  devido a suspensão da Sessão Extraordinária realizada na tarde de terça-feira (17) na Câmara Municipal do município.
A sessão contou com a presença massiva da população que compareceu à Casa de Leis para acompanhar os trabalhos legislativos levando camisetas, faixas e diversos panfletos de protesto. A sessão começou tumultuada já que segundo o Vereador Paulo Volcov afirmou que havia falhas em atas das sessões, que continham informações incorretas e não estavam seguindo o Regimento Interno e a Lei Orgânica do Município.
Entretanto a Sessão Extraordinária foi suspensa devido a um requerimento verbal do Vereador Franciscano Rodrigues (Fran), que pediu o adiamento da votação do projeto do lixão e de outras quatro propostas que seriam votados naquela sessão. De acordo com o vereador a câmara precisaria de mais tempo para avaliar cada um dos projetos e assim pediu o adiamento por três sessões.
Como apenas os vereadores Paulo Volcov, Fábio Bianchi Bechara, Raimundo Aparecido Lopes Rocha e Edmilson Antonio da Silva (Baixinho) se mostraram contra o adiamento das votações, a sessão foi suspensa.
A notícia não foi bem recebida pela população, que protestou contra a decisão vaiando os vereadores favoráveis ao adiamento e até mesmo jogando notas de dinheiro falas no plenário. “Acho que a população fica decepcionada não apenas com a não votação do projeto do Lixão, mas das outras propostas que seriam debatidas hoje e que são de interesse da população. Acho que de extrema irresponsabilidade dos vereadores terem aceito o encerramento desta sessão”, afirmou o advogado Mário Luis de Marco.
Com os ânimos exaltados, a Guarda Municipal de a Polícia Militar do Município foram acionadas e compareceram ao local. Em determinado momento o coordenador político e primeiro-cavalheiro da cidade, Carlos Aymar, pediu calma à população que permaneceu na Casa de Leis. “Como um cidadão e estou envergonhado. Ver uma câmara municipal totalmente debilitada e defendendo interesses escusos e nefastos é uma vergonha para Araçariguama. O projeto do Lixão é uma das votações mais importantes da história da cidade e infelizmente a maioria dos vereadores não teve a hombridade de votar contra o Lixão”, afirmou Aymar.
Com o encerramento da sessão, o Jornal da Economia procurou alguns dos vereadores para que eles pudessem falar sobre o caso. Segundo o Vereador e Presidente da Câmara de Araçariguama, Ademario Jesus Mendes (Baiano), a suspensão da sessão atendeu a uma solicitação de um parlamentar, que foi votada em plenário, entretanto o projeto do lixão não será prejudicado com o adiamento. “Estamos à anos debatendo esta situação, então o adiamento por três semanas não faz diferença. Peço desculpas à população que veio ao plenário pelo adiamento, mas votaremos o projeto na próxima sessão ordinária”, afirmou o vereador que diz ser a favor do projeto contra o aterro sanitário.
Porém a explicação do Presidente da Câmara não convenceu os demais parlamentares contrários a situação do lixão em Araçariguama. De acordo com o vereador Paulo Volcov o encerramento da dos trabalhos no plenário foi uma atitude inexplicável e sem prerrogativas, agravada pelo fato de que existia uma forte solicitação da população para que os trabalhos legislativos continuassem. “Ao meu ver foi uma atitude totalmente arbitraria do presidente e me parece que ele está fugindo do que foi um dos seus compromissos de campanha que era o fim do Lixão. Espero que esteja errado com relação a isso e que ele e sua bancada repensem suas posições e votem contra a implantação deste aterro”, afirmou.
Segundo o vereador Baixinho, o Projeto que suspende a instalação do aterro sanitário na cidade é de extrema importância não apenas para Araçariguama, mas para toda a região devido ao impacto ambiental que o aterro pode trazer. “O senhor presidente da casa convoca a sessão e nós vereadores para depois suspender os trabalhos, isto não pode acontecer. Quem perde com isso não é só Araçariguama mas toda as cidades da região”, disse.
Entretanto, segundo o Vereador Franciscano Rodrigues (Fran), é justamente por conta da importância do projeto que ele e as outras propostas que deveriam ter sido avaliadas em sessão devem ser melhor estudadas o que não pode ser feito em uma sessão extraordinária, devido ao seu caráter de urgência. “O que seria implantado não é um lixão e sim um aterro sanitário, que tem todas as licenças aprovadas por órgãos responsáveis, incluindo instituições ambientais. Sou a favor da manifestação da população, pois elas temem a volta do lixão que tivemos em 2004, o que não é o caso. Sou contra o lixão, mas não contra um aterro que tem todas as licenças legais”, afirmou o vereador que se mostrou a favor a implantação do aterro sanitário na cidade.
A votação do projeto que proíbe a implantação do aterro deve ocorrer no dia 07 de fevereiro.
ERRATA: o ex-prefeito de Araçariguama, Carlos Aymar, foi citado na matéria em um primeiro momento como Diretor de Saúde de Araçariguama. Na verdade Aymar é coordenador político e primeiro cavalheiro da cidade. O Jornal da Economia pede desculpas pelo equivoco.  

0 comentários:

Postar um comentário