Secretário de Alckmin diz que não haverá unificação de ensino, mas 'colaboração'

14:37 |



Pela manhã, Alckmin e Doria anunciaram integração entre estado e município na educação. José Renato Nalini disse que força-tarefa não prevê alteração em material didático nem mudança em calendário escolar, e que possíveis mudanças serão só em 2018.



Doria e Alckmin fazem nova reunião e anunciam medidas para a cidade
O secretário estadual de Educação, José Renato Nalini, afirmou na tarde desta segunda-feira (9), que não haverá unificação do sistema de ensino entre a rede municipal e estadual. A entrevista foi dada ao G1, por telefone, horas depois de o governador Geraldo Alckmin e o prefeito João Doria anunciarem, em coletiva de imprensa na manhã desta segunda-feira (9), parceria para integrar as redes municipal e estadual de educação.
Alckmin e Doria divulgaram uma série de parcerias entre governo e prefeitura. "Na educação, a integração das redes, um calendário único, começar as aulas e terminarmos juntos, o mesmo número de ciclos e material pedagógico. O aluno que sai de uma escola e vai para a outra para ele não ter problema", afirmou o governador.
Mais tarde, Nalini negou que as redes serão integradas. "Ninguém está falando em unificação. É um regime de colaboração", disse. “O que foi assinado é um protocolo de intenções. É uma coisa extremamente flexível, não tem obrigação. A obrigação é sentar, propor, discutir, submeter aos interessados", defende. Por agora, ele garante: “Nada muda”.
Nalini também negou a integração do material escolar nas duas redes de ensino. “Não sei de onde surgiu. Isso não consta da nossa proposta."
Doria disse que "o secretário Nalini (estadual) e o secretário Alexandre Schneider (municipal) têm reuniões conjuntas a partir de amanhã [terça]. As aulas começam no dia 6, ainda temos um tempo, eles estão definindo isso”.
“Naquele afã de mostrar que agora a gente vai trabalhar junto, dá a impressão que muita coisa já ia ser de hoje para amanhã. O administrador quer resultado, tem pressa, mas na educação não é assim. Tudo tem que ser meditado, prudentemente examinado”, avaliou o secretário.
Para Nalini, o governador Geraldo Alckmin e seu afilhado político, o prefeito João Doria, cometeram uma espécie de erro acidental ao divulgarem a parceria como integração. “Foi uso inadequado. Um lapsus linguae.”
O secretário destaca, ainda, que qualquer mudança será discutida com a sociedade, como, por exemplo, a alteração no calendário escolar, para que as aulas nas duas redes tenham início e término na mesma data.
“O calendário deste ano já está definido. Se houver possibilidade de fazer o mesmo calendário [para as duas redes] será para 2018.”
Secretário da Educação de SP, José Renato Nalini (Foto: Márcio Pinho/ G1)Secretário da Educação de SP, José Renato Nalini (Foto: Márcio Pinho/ G1)
Secretário da Educação de SP, José Renato Nalini (Foto: Márcio Pinho/ G1)
Segundo o secretário, o que existe “de concreto” – desde que Prefeitura e o governo passaram a ser comandados por políticos do mesmo partido – “é uma disposição de se estreitar o relacionamento entre as secretarias da educação do estado e município, que nem sempre trabalharam em uníssono. Para isso, vamos constituir grupos de trabalho formados por integrantes das duas secretarias, e estudar o que é possível se fazer”.
De acordo com Nalini, a força-tarefa será criada nos próximos dias e tem como objetivo otimizar questões relacionadas ao sistema de ensino (transporte, aproveitamento de espaços ociosos, uso dos Centros Educacionais Unificados para programas da rede Estadual) mas não prevê alteração no material didático.

Exemplos das possíveis parcerias

Na avaliação de Nalini, uma das formas de trabalhar conjuntamente seria otimizar o transporte escolar.
“Não tem sentido você levar crianças do estado para uma escola se tem uma população do município que poderia se servir do mesmo transporte. De repente você tem uma economicidade. Se o credenciamento que a Prefeitura faz for mais vantajoso que a licitação do estado, a gente adere e paga para Prefeitura o transporte. É uma iniciativa de abertura, de tirar preconceitos, barreiras do que é municipal, estadual.”
Ele também citou que espaços disponíveis em escolas estaduais poderão servir para desafogar instituições da rede municipal e até creches.
“Vamos ver se na mesma micro região existe uma demanda excessiva em uma das redes e espaço ocioso na outra, a gente oferece como opção ocupar aquele espaço. Mas nada é forçado, e ainda é grupo de estudo, que vai levantar, conversar.”
A força-tarefa também irá estudar alteração no calendário escolar para o ano que vem. “Pensou em uma identidade de calendário – não faz sentido uma criança começar em um dia, outra em outro”, explica. Neste ano, as aulas na rede estadual começam dia 1° de fevereiro. Na Prefeitura, dia 6.
Outra proposta comentada por Nalini é o aproveitamento dos Centros Educacionais Unificados da cidade de São Paulo para programas da rede estadual. “A gente pensa que os CEUs são uma experiência gratificante. Por que não fazer com que sejam uma espaço da Escola da Família, que é um projeto do estado que tem 13 anos e funciona muito bem?”, avalia.

Sem unificação

O secretário municipal de Educação, Alexandre Schneider, disse que as redes não serão unificadas. "Cada uma segue com sua identidade própria. Não haverá unificação curricular ou de materiais. E sim a identificação de oportunidades de atuação conjunta que facilitem a vida de professores, alunos e pais."
Ele explicou por meio da assessoria de imprensa que foi criado "um grupo de trabalho para propor medidas nessa direção em até 90 dias. A partir daí apresentaremos medidas concretas à sociedade, cuja implementação dependerá de discussão prévia com as duas redes."
"Nesse sentido, foram formados dois grupos de trabalho com representantes das duas Secretarias para analisar a viabilidade e apresentar propostas sobre:
1) Organização conjunta das Redes de Educação Básica
a) Adoção do Calendário Único;
b) Compatibilização dos Ciclos de Aprendizagem;
c) Compartilhamento de Programas Pedagógicos; e
d) Compartilhamento de espaços ociosos de salas de aula, nas suas Redes.
2) Ações de Integração dos Sistemas de Transporte Escolar no município de São Paulo.
3) Ações de Integração dos Sistemas de execução de Obras Escolares entre Fundação para o Desenvolvimento da Educação – FDE e a Secretaria Municipal de Serviços e Obras.
4) Ações conjuntas visando a ampliação de ofertas de vagas de Educação Profissional no Município de São Paulo.
5) Creches – As pastas deverão apresentar alternativas de cooperação visando a ampliação do número de vagas em creches, no município de São Paulo

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